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Há muito se discute padrões do sistema de moda, velhos hábitos não fazem mais sentido após a revolução provocada pelos smartphones. As semanas de moda são impactadas por isso de forma muito intensa. Não faz mais sentido desfilar coleções que chegam às lojas após seis meses, assim como se tornou defasado trabalhar com o conceito de primavera-verão e outono-inverno, uma vez que existem consumidores em ambos os hemisférios e que as próprias estações não são mais definidas.

Todos os detalhes de um desfile como backstage, modelos, roupas, beleza, produção e passarela são filmados e clicados a exaustão. Como resultado temos uma imagem desgastada em pouco tempo por uma infinidade de conteúdos que circulam nas redes. A assimilação de conceitos, tendências e produtos acontece de forma muito rápida, tornando a peça tediosamente familiar. Isso obriga as marcas a aproveitar em um curto espaço de tempo toda a energia e mídia geradas pela maior ferramenta de marketing da moda, os desfiles. O imediatismo das redes tornou inviável o modelo praticado até o momento e obriga a indústria a mudar.

No inicio deste ano o CFDA, importante associação que reúne os designers da América, admitiu que estuda apresentar as coleções no tempo em que serão lançadas. Enquanto isso, marcas como a Burberry decidiram romper com o sistema tradicional e alinhar o varejo com o desejo do consumidor. A partir da próxima temporada as roupas estarão disponíveis nas lojas assim que acabar o desfile, que por sua vez vai unificar as coleções masculina e feminina em uma única apresentação. Estilistas como Tom Ford, Marc Jacobs, Donatella Versace e Tommy Hilfiger, se preparam para mudanças em suas marcas. Entendem que não há mais como voltar atrás e lutam para conscientizar o resto da indústria em que não se pode insistir no passado. Nova York será a primeira cidade a adotar mudanças. A partir de setembro, a temporada vai sofrer alterações.

A model is pictured in a screen of a smartphone during the Versace men's Spring-Summer 2015 show, part of the Milan Fashion Week, unveiled in Milan, Italy, Saturday, June 21, 2014. (AP Photo/Luca Bruno)

O consenso encontrado entre os designers na América não se repete em todo o mundo. Na Itália, existe um receio que a produção das peças antecedendo os desfiles gere muitos vazamentos e até mesmo um mercado negro de informações. Na França, a tradição é um valor muito forte, criando reservas ainda mais veementes que as italianas. As opiniões são divididas em Londres, ninguém parece ter a mesma certeza que os americanos sobre as vantagens das alterações. A tensão é ainda maior após o anúncio da relevante marca independente Vetements anunciar que vai apresentar suas coleções em janeiro, antes de todas as outras marcas. Com o consumidor mais seletivo, iniciativas como esta podem ter consequências significativas nas vendas das grandes marcas.

O Brasil, por sua vez, já assinalou concordar com a postura americana. O interesse deste país continental é acabar com a definição de estações e entregar o produto no momento em que o consumidor deseja comprar. A partir de 2017 o SPFW vai alinhar seus desfiles ao varejo. Resta saber se teremos organização, unidade, e claro, viabilidade produtiva de fazer tais adequações, sobretudo no momento de incertezas e crise econômica pelo qual passamos. As decisões das quatro principais cidades – Nova York, Londres, Milão e Paris, vão influenciar toda a cadeia produtiva, o varejo, o marketing e o consumidor. Vamos aguardar!

 

*Texto originalmente escrito para a coluna de moda do jornal Diário Popular

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