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Novo sistema de criação pode tornar a moda menos inspiracional

O SXSW é o maior encontro multicultural do planeta, reúne criativos em um festival de música, cinema e tecnologia. Promovido pela South by Southwest, companhia americana considerada a segunda mais inovadora do mundo (atrás apenas do Google), apresenta em 10 dias, modelos de negócios, estratégias, entre outras potencialidades para serem destaque no ano. Neste efervescente festival, moda e negócios entraram em pauta a partir da perspectiva de implantação de um novo método de criação.

Apresentado no painel “O futuro do descolado: o que será cool na moda”, o sistema “Data Fashion” utiliza a observação e aplicação de sofisticadas ferramentas de monitoramento como Analytics e Big Data para nortear a criação e produção de peças. Esses dados tornam o futuro da moda, em relação à criação, menos intuitivo. Até o momento temos um sistema direcionado por estilistas e bureaus, empresas especializadas em estudos de comportamento e detecção de padrões culturais que regem as tendências do segmento. O padrão inspiracional utilizado até então, perde espaço para o anseio por resultados econômicos e será fortemente influenciado pela tecnologia. Na prática, é possível entender como se dá o processo de compra online, como o consumidor enxerga as ofertas e qual a expectativa do cliente. Isto possibilita otimizar estoques e materiais, marketing e vendas, distribuição de produtos e aumentar a lealdade do cliente ao oferecer melhores experiências on e offline.

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A nova ferramenta foi apresentada como uma forma de inspirar o processo criativo dos designers. O método de escolha guiado pretende mostrar o que terá maior aceitação, além de auxiliar na definição de rumos e crescimento de uma marca. Este sistema empodera o consumidor, à medida que apenas suas necessidades são identificadas e este não depende mais na leitura intuitiva dos designers de moda. Tudo será previsto, medido e antecipado, para que demandas e expectativas sejam atendidas. De certa forma isso já ocorre através das métricas de venda, mas estas se dão já no varejo.

Como contraponto, podemos levantar alguns questionamentos. Um deles está relacionado com o nível de informação e dados coletados. O Big Data analisa comentários, fotos, imagens, músicas, compartilhamentos, filmes e praticamente toda atividade digital dos indivíduos, não apenas para esse novo sistema de criação da moda, como também para muitos outros projetos. A privacidade está cada dia mais ameaçada por tais inovações. Além disso, a moda é um complexo sistema que se divide entre arte e mercado. O idealismo e o apreço de seus integrantes por métodos tradicionais certamente será um obstáculo a superar. Ao mesmo tempo, não podemos negar que muitas inspirações dos estilistas vêm das ruas e se transformam em produtos que rendem mérito a quem conseguiu identificar e decodificar o anseio do consumidor. Em contra partida, usamos peças que saíram do imaginário de um criador, tornando difícil pensar em uma moda qualificada que apenas reproduza o que o consumidor espera naquele momento.

Sobretudo há uma questão a ser pontuada. É possível saber o que o consumidor deseja através de monitoramento e análise de dados, mas é imprescindível entender suas motivações para tais decisões. Essa é a expertise da moda, decifrar os seres humanos por aspectos complexos que se sobrepõem a simplicidade dos números e representam complexas métricas sociais.

*Texto originalmente escrito para a coluna de moda do jornal Diário Popular

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